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30 de maio de 2026

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Divirtam-se!

















1 de abril de 2023

Sobre trilhas

 

Desde pequeno sempre gostei de me meter mata adentro e trilhar. 

Na praia eu preferia subir pelas pedras e sumir, para desespero de meus pais.

Graças a amizades saudáveis eu adquiri o hábito de trilhar de forma mais disciplinada.

Recentemente eu e a Michele nos unimos a um grupo de trilheiros profissionais e desfrutamos de várias aventuras pelo estado do RJ. Hoje trilhamos habitualmente como se fosse um passeio comum.

Sempre ouvi, ao longo desses anos, de diversas pessoas, que esse contato com a natureza é uma forma de conexão divina, autoconhecimento, encontro com Deus, oportunidade para meditação, etc.

Sempre busquei espontaneamente esse contato e como sou espontaneamente ateu, minha visão dessa atividade é diferente.

Ao atingir o cume, após longa e cansativa trilha, minha sensação é de total pertencimento. Sim, nós pertencemos à natureza e, como animais frágeis, sentimos calor, frio, fome, sede, medo, dor e tudo mais que o ambiente nos aflige. 

Somos picados por insetos (já sofri um ataque de vespas), nos ralamos, nos ferimos em espinhos, teias de aranha grudam na cara, pedras quentes nos fritam, se uma chuva nos surpreender, ficamos molhados! 

Temos que estar alertas (sim, trilhas têm perigos), temos que respeitar o território dos outros animais. Uma vez inseridos temos que saber que não somos donos do lugar, nem que estamos assistindo por uma tela de TV. Estamos pertencendo ao ambiente, mesmo sendo animais equipados.

Ao atingir o objetivo (lembrando que o lema do trilheiro é: “só o cume interessa”), temos a maravilhosa sensação do alívio, o vento leve no rosto, a vista deslumbrante, o momento de desacelerar... Seria essa a hora da conexão divina? Talvez, mas com os pés doloridos, as costas em frangalhos, a água quase acabando, minha sensação de pertencimento continua.

Você olha para o céu e vê os urubus aguardando alguma carniça, que poderia ser você. Penso na volta, que é o momento de testar se o joelho está bom.

Ao final de tudo, com os participantes cansados e esbaforidos, ansiosos por chegar ao conforto do lar, um questionamento nos vem à mente:

“Quando será a próxima trilha?”

7 de setembro de 2019

VAI ENCARAR?!

Sobre intolerância religiosa.
Texto traduzido diretamente do encarte do CD.

"Kasai está situada no centro da República Democrática do Congo. Enquanto a exploração de diamantes alimenta principalmente a capital e o estrangeiro, sua infraestrutura é uma das piores do país: poucos quilômetros de ferrovias, nenhuma estada pavimentada, hospitais datando do período colonial, água e energia esparsas, cidades se expandindo caoticamente. Com os pés na água, Kasai está morrendo de sede.

A arte em Kasai é principalmente utilitarista e fortemente ligada à religião. Quando o cristianismo foi introduzido na virada do século XX, a luta contra o "paganismo" destruiu primeiramente as artes visuais: missionários queimaram ou confiscaram sistematicamente as mesmas esculturas que foram sensação no circuito avant-garde europeu da época. Sendo um bem não material, a música tradicional foi mais difícil de obliterar: em tempos recentes sofreu uma rápida extinção por conta das ditas "novas igrejas" que consideram toda música não cristã como "satânica" e a combatem com forte pressão social e novos e potentes amplificadores.

Em Kasai, mesmo os pequenos vilarejos têm diversas "novas igrejas", cuja influência cresce enquanto as condições de vida se degradam. O povo, com medo de ser excluído dessas igrejas, não ousa mais executar a música tradicional. As crianças do vilarejo não praticam o inventivo canto tradicional para se tornarem cantores do coral. Os instrumentos regionais foram confiscados e utilizados somente na liturgia cristã; se você quiser dançar, terá que ser na igreja aos domingos. A música que se ouve é o gospel americano importado que, além de não ter inspiração, é socialmente ineficaz: canta-se as mesmas canções tanto em festas quanto em funerais.

Paradoxalmente, como consequência, a verdadeira cultura musical de Kasai é encontrada atualmente nas cidades, onde as pessoas estão mais livres do escrutínio das igrejas. Este é um dos motivos que a turnê do Kasai Allstars pelo país em 2002 foi recebida com muita curiosidade e entusiasmo.

Estabelecido em Kinsaha, Kasai Allstars reúne cerca de 25 músicos de cinco bandas e cinco diferentes grupos étnicos: Luba, Songye, Lulua, Tetela e Luntu. Alguns desses grupos enfrentaram conflitos entre si ao longo dos séculos, cada um com sua cultura, linguagem e tradição musical próprias, que se pensava serem incompatíveis até que esses músicos decidiram unir seus recursos e formar uma "superbanda".

A música que executam vem diretamente de rituais festivos praticados na selva antes da chegada dos europeus. Os sons tradicionais foram combatidos sucessivamente pelas autoridades coloniais, pelos missionários e pelas seitas evangélicas Congolesas que ganhavam força e influência. As danças altamente eróticas e as cerimônias pagãs foram banidas. Os instrumentos tradicionais desapareceram e hoje são encontrados apenas em museus do hemisfério norte.

Embora o aspecto cultural do seu trabalho seja importante, os membros do Kasai Allsars são em primeiro lugar músicos, cantores e dançarinos que decidiram misturar no mesmo balaio suas respectivas tradições, estilos, linguagens e instrumentos. Esse processo inovador faz com que tenham que inventar novas partes, adaptar aos instrumentos novos padrões musicais que normalmente não lhe são familiares. A interação com técnicas modernas de produção, gravação e amplificação dá uma visão bem excitante e criativa ao projeto."

Agora é só ver e ouvir:




28 de junho de 2015

MINHA HISTÓRIA DE AMOR COM O YES


Escolher um grupo ou artista preferido depende de vários fatores. Pode ser por fase,  uma análise mais racional ou simplesmente paixão inexplicável, como um clube de futebol. Meu maior ídolo na música internacional é o Peter Gabriel pela concepção de seus trabalhos. O King Crimson, dos grupos ainda em atividade, é o que acho mais arrojado e desafiador. Porém o YES é paixão pura, e antiga...  Principalmente por seu vocalista, o eterno sonhador Jon Anderson, seu baixista, o incansável lutador Chris Squire e o intelectual da guitarra Steve Howe. Todos os outros músicos são talentos que deixaram e ainda deixam sua marca positiva no grupo.
Minha paixão pelo YES se perde na bruma do tempo. A referência mais antiga que tenho é um show do Rick Wakeman que fui assistir no Maracanãzinho em 1981, aos 13 anos. Já havia discos do YES lá em casa, trazidos pelo meu irmão mais velho, que seguiu uma trajetória interessante. No fim dos anos 70 sua onda era a Disco Music, os hits dos Bee Gees e os passos do John Travolta. Havia muitas músicas com batidas eletrônicas, teclados sequenciados e vozes robóticas. Começaram a vir os discos do Kraftwerk e o interessse pelos teclados eletrônicos aumentou. Veio, então, o Jean-Michel Jarre e por fim a disco music deu lugar ao som espacial do Vangelis. Daí para o Rick Wakeman e o YES foi um pulo.
Fiquei vidrado e em pouco tempo tínhamos todos os LP’s do grupo que eu ouvia numa vitrolinha portátil que acoplava as caixas e ficava em forma de mala! Isso foi numa época em que o grupo tinha deixado de existir, o biênio 81-82. Me lembro de haver chorado uma vez ao ouvir o “Yesshows” pensando: “Que pena que este grupo acabou”.
Em 1983 quando as FM’s soaram os primeiros acordes de “Owner of a lonely heart” fiquei num misto de felicidade e decepção com a volta do grupo. Fiquei, então, só acompanhando de longe sua trajetória até que em 1996 a paixão antiga resolveu voltar a mexer comigo. Eles haviam retornado à formação clássica tocando antigos clássicos e músicas inéditas que nada deviam às dos anos 70. Voltei a amá-los com a mesma deslumbrada paixão adolescente.
Hoje sou um fã maduro e em paz com todas as diferenças. Gosto de todas as fases, todas as formações, todos os discos e quase todas as músicas. Já estiveram no Brasil várias vezes e tive a felicidade de estar presente em duas. Com o falecimento de seu baixista e força motriz não sei quanto tempo o grupo permanecerá na estrada. Só sei que pretendo curtir esta paixão até o limite, até que a aposentadoria nos separe.
Site: http://www.yesworld.com/

9 de outubro de 2010

Meu Irmão John

Quando eu era mais jovem e usava cabelo comprido, além dos meus inseparáveis óculos, meus amigos me chamavam de John Lennon. Sempre tive muitos apelidos, alguns até indesejáveis, mas este era o meu preferido. Desde pequenos somos acostumados a amar o Beatles e estender este afeto aos seus integrantes. Comigo não foi diferente. Porém nem tudo foi magia no mundo beatle e o John foi um dos primeiros a esclarecer que somos todos humanos, falhos e defeituosos. Nunca se arvorou ser exemplo de conduta e coerência. Sabemos, através de revelações recentes, que sua busca por sucesso afetou profundamente sua vida familiar e a pressão de ser um superstar o levou a tomar atitudes incompatíveis com o que se enxergava em sua obra. Nunca cobrei de meus ídolos uma conduta irretocável. Como poderia se minha própria vida pessoal é cheia de falhas? Sempre me identifiquei muito com John. O sonhador, idealista e também o inconseqüente e, às vezes, raivoso. Gostaria muito de vê-lo com 70 anos. É uma pena que ele não envelheceu. Garanto que seria ainda uma fonte de experiência e sabedoria humana e mundana. Não passou dos 40, portanto o vejo como um irmão (mais novo, hehehe), mas ainda temos muito que aprender com ele. Aproveitemos...

23 de abril de 2010

Alice in Wonderland (ou no País das Maravilhas)

Estréia hoje a versão de Tim Burton para esse clássico da literatura inglesa escrito por Lewis Carroll. Já foi avisado que há muitas diferenças em relação ao original. No filme Alice não é uma criança e sim uma adolescente que “volta” ao País das Maravilhas e “reencontra” todos os personagens da primeira visita antes de se tornar adulta e deixar de ter a imaginação tão fértil. É uma história que conhecemos desde criança, mas acho que são poucos os que realmente leram o livro. Resolvi corrigir isso recentemente, antes de saber que Alice voltaria aos cinemas. Encontrei uma edição inglesa de 1947 na casa da minha mãe e resolvi encarar. As ilustrações originais de “Sir” John Tenniel ajudaram nessa viagem lisérgica... Digo isso porque o Sr. Charles Dodgson (codinome: Lewis Carroll) deve ter tomado um ácido legal para escrever sua fábula. Não é à toa que foi escrita nos anos 60 (1862 he he he...). Além dos recursos imaginativos para criar personagens tão loucos (bem espelhados na sociedade inglesa), o eixo que conduz o livro são os diálogos totalmente sem sentido (nonsense para utilizar o jargão). Alice é uma criança questionadora e deixa muitas vezes seus interlocutores sem saber o que dizer. Qualquer adaptação cinematográfica que desejasse ser fiel ao original se tornaria um filme “cabeça”. Não há tanta ação ou aventura no País das Maravilhas de Lewis Carroll, mas uma agradável turnê pela loucura e imaginação humanas. Definitivamente não é uma leitura para crianças. Aos “adultinhos” que quiserem se aventurar, está dada a dica...

13 de fevereiro de 2010

Peter Gabriel – 60 anos

Hoje esse homem aí completa 60 aninhos de idade! Para quem não conhece, esse músico inglês há mais de 40 anos faz um trabalho que prima pela qualidade sonora, visual e literária, além de um engajamento coerente e sincero pelos direitos humanos seja em qualquer parte do mundo. Quem quiser maiores informações, basta dar um “googlada” ou uma “wikipediada” que terá muitos resultados. O que quero realmente colocar aqui é a importância (pelo menos para mim) de se ter um ídolo. São tantos os que merecem ter esse status em minha vida, inclusive muitos brasileiros, porém vários atributos fazem o Peter estar no topo da minha lista. Como estou falando do plano humano, “idolatrar” para mim significa “se identificar”, incluindo aí seus defeitos, que ele expõe sem medos em sua obra. Muitos podem achar isso ridículo e argumentar que ele nem me conhece e que está cheio da grana... não me importo. O que ele oferece aos fãs é algo realmente substancial e edificante. Mesmo tão distante ele é uma presença virtual em minha vida há quase 30 anos. O sonho de assistir a um show foi realizado em 1993 e ainda tenho a esperança de vê-lo novamente nessa terra tupiniquim que ele diz gostar tanto. Mas por agora vamos cantar um “parabéns pra você” e soprar as velinhas para o grande “mestre” Peter Gabriel!!

6 de outubro de 2009

HOMENAJE A MERCEDES SOSA

Meu mundo musical está ficando cada vez mais esvaziado de ídolos. Isso é o que dá ser admirador de gente que está chegando, ou até passando, da terceira idade. Esta magnífica artista fez parte da minha infância-adolescência “gracias” aos LP’s que meus pais tinham em casa. Foram eles que tiveram a iniciativa de me levar a um show dela no extinto Hotel Nacional, em São Conrado lá pelos idos de 1982. Foi neste show que eu, com apenas 14 anos de idade, descobri que precisava usar óculos. Ficamos numa fila muito afastada do palco e então percebi que alguma coisa não estava muito bem. A imagem estava um pouco sem definição. Peguei os óculos do meu pai e pronto... ficou tudo nítido! Combinamos que a cada música um de nós usaria os óculos e foi assim por todo o show. Essas lembranças me acompanham até hoje (assim como os óculos) e a voz de Mercedes Sosa é, por todos esses motivos, parte essencial da minha memória afetiva. Duerme Negrita...

29 de setembro de 2009

UM ALTAR DE COISAS PARA ADORAR


Existe um “ditadozinho” infame que diz que “para se ter uma vida balanceada você precisa de um cão para te adorar e um gato para te ignorar”. 
Nada mais injusto com nossos bichanos, pois na verdade, os gatos foram feitos para serem adorados. 
Em minha opinião é um animal muito mais nobre e não precisa bajular ninguém. Consegue divertir sem ser patético. É carinhoso sem te babar. Tem múltiplas utilidades caseiras e ainda serve de ornamento. 
É por isso que fiz no meu armário um pequeno altar de coisas para adorar: meu CD do Pat Metheny, minha foto com minha irmã, meu cofrinho cheio de moedas e .... MEU GATO.